Vida na clausura: a liberdade encontrada no Carmelo de
Descubra como a vida na clausura, vivida por monjas no Carmelo de São José, oferece liberdade espiritual e dedicação. Confira agora os detalhes.
A vida na clausura é frequentemente mal compreendida por quem observa o cotidiano monástico de fora. Para a irmã Joana da Cruz, de 61 anos, que integra o Carmelo de São José há quase quatro décadas, o isolamento não representa uma privação, mas um caminho de realização pessoal e desapego material. Ela defende que a verdadeira escravidão reside nas dependências do mundo exterior, enquanto o mosteiro proporciona uma liberdade interior profunda.
A rotina e o propósito da vida na clausura
Atualmente, a comunidade religiosa opera de forma provisória em Várzea Grande, em um imóvel adaptado da Arquidiocese. A irmã Joana, que também atua na formação de noviças, recebeu a reportagem durante uma visita técnica às obras da sede definitiva, localizada no bairro Sucuri, em Cuiabá. As saídas da clausura são raras e restritas a necessidades específicas, como atendimentos médicos ou o exercício de direitos civis.
Além disso, A vocação da religiosa despertou ainda na adolescência, aos 15 anos, influenciada pela visita do papa João Paulo II ao Brasil. Antes de ingressar na vida monástica, ela concluiu sua graduação em Letras, um conhecimento que hoje auxilia em suas atividades diárias de tradução e ensino. A monja destaca que a oração é a forma como ela abraça o mundo, servindo a Deus e buscando graças para a humanidade.
O dia a dia no Carmelo é rigorosamente estruturado para manter o foco espiritual. A rotina das monjas inclui:
Oração do Ofício Divino e missa logo nas primeiras horas da manhã. Períodos dedicados ao trabalho manual e intelectual conforme as habilidades individuais. Momentos de silêncio, leitura espiritual e meditação ao longo do dia. Celebração das Vésperas e das Completas antes do recolhimento noturno. Portanto, O contato com o mundo exterior é limitado e ocorre sob normas rígidas. As visitas de familiares acontecem em um locutório, onde uma grade separa as religiosas dos visitantes, impossibilitando o contato físico. Além disso, o uso de tecnologias como internet e telefone é restrito a situações de emergência ou necessidades específicas de formação, garantindo que o silêncio e o recolhimento sejam preservados.
Apesar do distanciamento, a irmã Joana afirma que o vínculo com a família não é rompido, mas transformado. Para ela, o amor aos parentes torna-se mais espiritual e pleno quando Deus ocupa o centro do coração. Ela refuta a ideia de que a clausura seja uma existência desumana ou solitária, reiterando que o ser humano foi criado para a intimidade com o Criador.
O termo "cela", utilizado para designar o quarto das monjas, é frequentemente associado a prisões, mas possui um significado distinto na tradição monástica. A religiosa explica que o termo remete ao conceito de "céu na Terra", um espaço sagrado de encontro com o divino. Para saber mais sobre o cotidiano de instituições religiosas, acompanhe as últimas notícias em nosso portal.
O ingresso definitivo no Carmelo exige um longo processo de discernimento, que dura cerca de cinco anos. Durante esse período, a candidata passa pelas etapas de aspirante, postulante e noviça até proferir os votos perpétuos. Atualmente, o Carmelo de São José abriga 15 religiosas, com capacidade para acomodar até 26 monjas em sua nova estrutura, consolidando um estilo de vida dedicado inteiramente à oração e ao serviço religioso.
Fonte: midianews.com.br