S+ Notícias

French Touch: 30 anos de legado e o futuro da cena

Trinta anos após seu auge, a French Touch é reconhecida como patrimônio cultural. Confira como o movimento eletrônico francês influencia a nova geração.

Três décadas após o surgimento da French Touch, o movimento eletrônico francês consolida-se como patrimônio cultural enquanto inspira uma nova geração de artistas.

Três décadas após o surgimento da French Touch , o movimento eletrônico francês que projetou o país no cenário global durante os anos 1990 e 2000, o debate sobre seu legado permanece vivo. O conceito de transmissão cultural, frequentemente discutido na economia, aplica-se aqui à música: como um movimento sai da margem para se tornar um pilar do patrimônio nacional?

O reconhecimento oficial da French Touch

A importância do gênero foi oficializada com sua inclusão no Inventário Nacional do Patrimônio Cultural Imaterial da França. O Ministério da Cultura, sob a gestão de Rachida Dati, destacou nomes como Daft Punk, AIR e Laurent Garnier por transformarem a música eletrônica francesa em uma referência internacional. Segundo o órgão, o movimento fomenta a diversidade social e a colaboração criativa.

O impacto cultural foi evidente durante os Jogos Olímpicos de Paris 2024, onde a estética do gênero teve destaque. Contudo, o falecimento recente de Kavinsky, aos 50 anos, trouxe um tom de melancolia e reflexão sobre a trajetória desses artistas. O presidente Emmanuel Macron homenageou o produtor, definindo-o como um orgulho nacional cuja obra continuará a atravessar gerações.

A relação entre a classe política e a cena eletrônica, entretanto, gera controvérsias. O jornalista Stéphane Jourdain, autor de obras sobre o tema, aponta um paradoxo:

O Estado homenageia DJs icônicos em eventos oficiais. O Ministério do Interior mantém uma repressão histórica contra as rave parties . A nova lei RIPOST endurece penas para ajuntamentos musicais não declarados. Jourdain questiona a eficácia de proteger a French Touch como patrimônio, argumentando que o gênero, ao contrário da cena techno de Berlim, não depende de clubes físicos para sobreviver. Para ele, a música está em toda parte, mantendo sua vitalidade comercial através de nomes como David Guetta e Bob Sinclar, que continuam a acumular números expressivos de reproduções.

Por outro lado, figuras como o DJ Sven Løve observam que o som característico da French Touch já não detém a aura de novidade. Ele ressalta que a música pop funciona em ciclos e que os pioneiros foram inteligentes o suficiente para diversificar suas carreiras. A transição para a nova geração, contudo, já ocorre de forma orgânica.

Exemplos dessa sucessão são visíveis em palcos internacionais, onde filhos de veteranos, como os de David Guetta e Bob Sinclar, iniciam suas próprias trajetórias como DJs. Além disso, momentos simbólicos, como quando Thomas Bangalter incluiu uma composição de seu filho, Roxan, em um set recente, demonstram que a linhagem musical do movimento permanece ativa.

Para os jovens, como o fã de 20 anos que tatuou o logo da gravadora Ed Banger, o movimento representa o orgulho de uma geração que alcançou o topo do mundo. Embora a sonoridade tenha evoluído, a French Touch permanece como um marco de identidade cultural. Para mais conteúdos, acompanhe as últimas notícias em nosso portal.

Fonte: pt.euronews.com