Rota da Ancestralidade destaca legado negro no Centro Histór
Evento gratuito une caminhada histórica e apresentações culturais em celebração à 5ª edição do Prêmio Jejé de Oyá, valorizando a memória negra na capital mato-g
Evento gratuito une caminhada histórica e apresentações culturais em celebração à 5ª edição do Prêmio Jejé de Oyá, valorizando a memória negra na capital mato-grossense.
As narrativas da população negra, gravadas nos casarões, becos e vias do Centro Histórico de Cuiabá, ganham destaque na Rota da Ancestralidade – A Virada . Esta edição especial, realizada em parceria com a 5ª edição do Prêmio Jejé de Oyá, convida o público a uma caminhada gratuita nesta sexta-feira (21), focada na preservação da memória, do patrimônio e da cultura afro-brasileira.
A concentração dos participantes está marcada para as 19h, em frente à Igreja Nossa Senhora da Boa Morte. O trajeto percorrerá pontos emblemáticos da região central, incluindo a Escadaria do Beco do Alto e a histórica Rua das Pretas, hoje denominada Rua Engenheiro Ricardo Franco, culminando na Praça da Mandioca. Ao longo do percurso, o público poderá conhecer personagens e territórios fundamentais que moldaram a capital, mas que frequentemente são negligenciados pelas narrativas oficiais.
Idealizada por Cristovão Luiz há mais de uma década, a Rota da Ancestralidade consolidou-se como um movimento de valorização do patrimônio cultural negro. A iniciativa utiliza a tradição oral e a educação patrimonial para questionar processos de apagamento histórico, incentivando os participantes a enxergar o Centro Histórico além da arquitetura, reconhecendo as comunidades e as formas de resistência que dão sentido a esses espaços.
Nesta edição, o evento ganha um simbolismo extra ao homenagear Jejé de Oyá, figura histórica que residia nas proximidades da Igreja Nossa Senhora da Boa Morte, local de partida da caminhada. Após o percurso, a Praça da Mandioca será palco de uma programação cultural intensa, das 20h30 à 0h30, reafirmando que a presença negra em Cuiabá é um elemento vivo e pulsante na produção artística contemporânea.
O palco receberá atrações como a cantora carioca Andréia Caffé, além de Naiggaz, Bloco Agora QQ Esse, Bloco Banana da Terra, Buriti Nagô, DJ Helinho e o Grupo de Siriri Flor do Campo. Para Jeferson Bertoloti, idealizador do Prêmio Jejé de Oyá, a integração com a Rota é um reconhecimento necessário. “A Virada é memória, mas também é presença: é ocupar o Centro Histórico com a cultura negra que está viva, criando, celebrando e construindo Cuiabá no presente” , destaca.
Além da caminhada principal, a programação inclui uma vertente voltada ao público estudantil. Nesta sexta-feira (14), a Rota da Ancestralidade Estudantil , realizada em parceria com o Instituto Federal de Mato Grosso (IFMT), promove uma imersão para alunos do Ensino Médio. A atividade, com início às 16h30, utiliza a cidade como sala de aula, permitindo que os jovens reflitam sobre quem construiu a capital e quais memórias foram preservadas ao longo do tempo.
A iniciativa reforça o papel da educação na valorização das contribuições negras para a formação social e cultural de Mato Grosso. Ao colocar a ancestralidade no centro do debate, o projeto propõe um olhar crítico sobre as escolhas históricas de uma cidade, reafirmando o protagonismo negro na identidade cuiabana.
Serviço: Data: 21 de agosto de 2026 Concentração: 19h, na Igreja Nossa Senhora da Boa Morte Programação cultural: 20h30 às 0h30, na Praça da Mandioca Entrada: Gratuita Classificação: Livre
Fonte: rdnews.com.br