Polícia Civil investiga possível omissão de PM em crimes com
Delegado da Derf apura se policial militar foi omisso em relação aos roubos praticados pelo filho, preso durante a Operação Armadilha em Cuiabá.
Delegado da Derf apura se policial militar foi omisso em relação aos roubos praticados pelo filho, preso durante a Operação Armadilha em Cuiabá.
A Polícia Civil de Mato Grosso, por meio da Delegacia Especializada de Roubos e Furtos (Derf) de Cuiabá, iniciou uma investigação para determinar se um policial militar foi omisso diante das atividades criminosas atribuídas ao próprio filho. O jovem, de 22 anos, foi detido preventivamente nesta quarta-feira (19) no âmbito da Operação Armadilha, que apura uma série de assaltos à mão armada registrados na capital.
O delegado Romildo Nogueira, responsável pelo caso, explicou que aparelhos eletrônicos foram apreendidos na residência onde o suspeito vivia com o pai, localizada no bairro Altos da Serra. O material passará por perícia técnica na Politec para verificar se há evidências de participação de terceiros ou se houve negligência por parte do agente de segurança na guarda de equipamentos que teriam sido utilizados nas ações criminosas.
Um dos pontos centrais da investigação é a origem de coletes com a inscrição da Polícia Militar, que teriam sido utilizados pelo grupo durante os roubos. Conforme o delegado, a Corregedoria da Polícia Militar acompanhou a diligência e, caso a perícia confirme indícios de irregularidades, o caso será formalmente encaminhado ao órgão para a devida apuração disciplinar da conduta do pai.
Sobre o acesso aos itens da corporação, Nogueira ponderou que as investigações buscam esclarecer se os equipamentos foram adquiridos em um mercado paralelo ou se o filho teria se apropriado do material sem o conhecimento do pai. A busca e apreensão na residência foi autorizada judicialmente, garantindo o suporte necessário para o prosseguimento das diligências.
A dinâmica dos crimes, segundo a Derf, consistia em uma estratégia de simulação. Os suspeitos entravam em contato com vendedores demonstrando interesse em produtos anunciados e marcavam o local de entrega. Ao chegarem ao ponto combinado, os criminosos anunciavam o assalto, utilizando armas de fogo para subtrair mercadorias de alto valor, como drones, patinetes elétricos e itens de revenda rápida.
O delegado destacou ainda um episódio envolvendo uma casa de carnes, na qual o grupo solicitou a entrega de cortes nobres sob a promessa de pagamento no ato do recebimento, resultando em roubo. Ao todo, a polícia identificou pelo menos seis vítimas de ações com o mesmo modus operandi nos últimos dois meses em Cuiabá, sendo três ocorrências entre 15 e 18 de junho e outras três entre julho e agosto.
O suspeito preso permanece à disposição do Poder Judiciário e deve ser submetido a uma audiência de custódia ainda nesta quarta-feira. Enquanto isso, a Polícia Civil segue com as investigações para identificar outros integrantes da quadrilha e localizar eventuais novas vítimas que ainda não registraram ocorrência.
Diante da recorrência desses crimes, a autoridade policial reforçou um alerta aos comerciantes locais. A orientação é que proprietários redobrem a cautela ao realizar entregas de produtos caros, solicitando sempre o cadastro prévio dos clientes e verificando a procedência dos pedidos para evitar que se tornem alvos de criminosos que se aproveitam da boa-fé dos vendedores.
Fonte: midianews.com.br