Perigos no Estreito de Ormuz levam tripulações a recusar
Tripulações recusam travessias devido aos perigos no Estreito de Ormuz. Confira agora como o conflito afeta o comércio global e a segurança marítima.
Os perigos no Estreito de Ormuz tornaram-se um dilema crítico para a navegação global, com tripulações inteiras optando por não realizar a travessia. O navio Al Ruwais, uma embarcação de gás natural liquefeito com 314 metros, permanece à deriva próximo ao Paquistão há semanas. Seus 34 tripulantes recusam-se a seguir viagem, apesar das pressões dos proprietários sediados nos Emirados Árabes Unidos.
Um eletricista a bordo relatou que a empresa insiste na rota, mas a segurança da tripulação é a prioridade. Pelas normas marítimas vigentes, o direito de recusar a entrada em zonas de guerra é individual. Portanto, basta a objeção de um único marinheiro para impedir que o navio avance para áreas de risco elevado.
perigos no Estreito de Ormuz
Para convencer as tripulações a enfrentar o perigo, as empresas marítimas oferecem valores vultosos. Capitães podem receber até 100 mil dólares mensais, somados a bônus de risco. Contudo, a disparidade salarial gera descontentamento entre os trabalhadores, que questionam a valorização desigual das vidas a bordo.
A via marítima, essencial para o comércio de energia, enfrenta bloqueios navais desde o início do conflito com o Irã. A situação deteriorou-se após ataques norte-americanos e israelenses no final de fevereiro. Atualmente, o tráfego na região sofreu uma queda drástica, conforme dados de rastreamento:
Antes da guerra, mais de 125 navios atravessavam o estreito diariamente. Atualmente, o número caiu para apenas 10 a 12 embarcações por dia. Isso representa uma redução superior a 90% no fluxo comercial. Os incidentes registrados incluem ataques com drones, minas marítimas e impactos de projéteis desconhecidos. Para evitar detecções, muitos navios desligam transponders AIS, apagam luzes de navegação e suspendem comunicações via rádio durante o trajeto. Para mais detalhes sobre o cenário global, acompanhe as últimas notícias .
Hamed, um ex-capitão que atua na gestão marítima iraniana, aponta que a guerra causou a morte de cerca de 95 marinheiros desde março do ano passado. Além disso, cerca de 60% dos navios iranianos sofrem sanções, sendo proibidos de atracar em diversos portos estrangeiros. Muitos profissionais do sul do Irã abandonaram as missões marítimas ou migraram para o Mar Cáspio.
Apesar das dificuldades, cerca de 35 mil navegadores iranianos continuam operando em aproximadamente 2 mil embarcações. Eles buscam garantir o suprimento de itens essenciais, como trigo, milho e medicamentos. Contudo, o cenário permanece volátil, e autoridades locais não descartam uma paralisação total caso a situação de segurança se agrave ainda mais na região.
Fonte: pt.euronews.com