Mãe de vítimas de Brumadinho lança livro sobre luto e luta p
Helena Taliberti, que perdeu dois filhos e a nora grávida na tragédia de Brumadinho, narra sua jornada de resistência e memória na obra "Tentam nos Enterrar".
Helena Taliberti, que perdeu dois filhos e a nora grávida na tragédia de Brumadinho, narra sua jornada de resistência e memória na obra "Tentam nos Enterrar".
"A todo instante tentam nos soterrar", declara a autora Helena Taliberti. Ela transformou o sofrimento profundo pela perda de seus dois filhos e da nora, que estava gestante, no desastre de Brumadinho, em uma obra literária intitulada Tentam nos Enterrar, Não Sabiam que Somos Sementes , publicada pela editora Ofício da Palavra. Para a escritora, o livro funciona como um ato de resistência contra o esquecimento e um novo movimento na batalha por justiça pelas 272 vidas perdidas.
A tragédia pessoal de Helena ocorreu em 25 de janeiro de 2019, quando seus filhos, Luiz e Camila Taliberti, foram vítimas do rompimento da barragem. Eles estavam em Minas Gerais para um período de férias, acompanhados por Fernanda, esposa de Luiz, que carregava no ventre o pequeno Lorenzo.
Na obra, Helena registra a memória de seus entes queridos e compartilha com o público como o episódio devastador transformou sua percepção sobre a vida e o mundo. O título do livro carrega um simbolismo forte sobre a capacidade de superação e a manutenção da memória coletiva diante de uma tragédia que, segundo ela, muitos tentam apagar.
Em entrevista, a autora reflete sobre o significado do título: "O verbo enterrar descreve exatamente o que ocorreu com eles. Contudo, conseguimos fazer brotar, a partir de uma dor imensurável e de um luto compartilhado, o Instituto Camila e Luiz Taliberti, que atua como uma semente. Existe uma tentativa constante de enterrar o que aconteceu. O apagamento é uma dinâmica comum a eventos traumáticos, mas nós permanecemos aqui, em constante resistência".
O desastre de Brumadinho, ocorrido em 25 de janeiro de 2019, foi marcado pelo colapso da Barragem I da Mina Córrego do Feijão, de propriedade da mineradora Vale. O rompimento foi catastrófico, liberando aproximadamente 12 milhões de metros cúbicos de rejeitos de mineração sobre a região.
A lama tóxica avançou rapidamente, atingindo de forma direta a área do Córrego do Feijão e do Ribeirão Ferro-Carvão. O impacto ambiental e humano foi devastador, deixando um rastro de destruição que ainda hoje mobiliza famílias em busca de reparação e responsabilização dos culpados.
O livro de Helena Taliberti não apenas documenta a dor de uma mãe, mas também serve como um registro histórico da luta dos familiares das vítimas. Ao transformar o luto em literatura, ela busca garantir que a tragédia de Brumadinho não seja reduzida a números ou esquecida pelo tempo, mantendo viva a exigência por justiça e dignidade para todos os que foram afetados pelo rompimento da barragem.
Fonte: midianews.com.br