Investigação aponta que vereador preso combinou álibi após c
Novas mensagens revelam que o vereador Túlio César teria articulado um álibi com um comparsa após seu veículo ser identificado na fuga do assassinato de Lavínia
Novas mensagens revelam que o vereador Túlio César teria articulado um álibi com um comparsa após seu veículo ser identificado na fuga do assassinato de Lavínia Coutinho.
Novas evidências obtidas pela Polícia Civil de Mato Grosso indicam que o vereador Túlio César (Republicanos) e um homem identificado como “Denga” teriam arquitetado um álibi logo após o carro do parlamentar ser flagrado como o veículo utilizado na fuga do responsável pelo assassinato de Lavínia Gabrielly Guimarães Coutinho. O crime, que chocou a cidade de Poxoréu, ocorreu no dia 10 de maio deste ano.
O vereador, que está sob custódia preventiva desde o dia 10 de agosto, teve seu envolvimento reforçado por um cruzamento técnico de dados. A Polícia Civil confrontou imagens de câmeras de monitoramento da noite do homicídio com publicações feitas pelo próprio político em suas redes sociais, além de analisar mensagens trocadas entre ele e Denga, apontado como o proprietário do imóvel onde a vítima esteve antes de ser morta.
Segundo o relatório policial, após os disparos, o executor fugiu inicialmente em uma motocicleta Honda XRE 300 preta, sem placa, abandonando-a em uma região conhecida como “lixão”. Na sequência, o suspeito seguiu em um Hyundai HB20S cinza, veículo que pertence ao vereador e que inclusive ostentava um adesivo de sua campanha eleitoral de 2024. Fotografias postadas nas redes sociais do parlamentar confirmam a presença do carro no mesmo local onde o político foi visto.
As mensagens extraídas do celular de Denga, cujo contato do vereador estava salvo como “Tulio Pox”, revelam a tentativa de combinar a versão dos fatos. Em um dos diálogos, após o vereador questionar se “deu tudo certo lá”, os dois trocam áudios e comentários sobre o desenrolar da ação criminosa, incluindo risadas e menções a um terceiro indivíduo chamado Pedro.
Esta é a segunda prisão de Túlio César desde o início das investigações. Ele foi detido no âmbito da terceira fase da Operação Véu de Ísis, após ter sido alvo de uma prisão temporária em julho, durante a Operação Elo Oculto. As diligências foram realizadas de forma integrada em Poxoréu, Rondonópolis e Cuiabá.
O homicídio ocorreu por volta das 2h em uma distribuidora de bebidas. De acordo com a perícia, Lavínia foi surpreendida por trás e atingida por cinco disparos, sendo que quatro atingiram regiões vitais. A investigação, conduzida pela Delegacia Especializada de Roubos e Furtos (Derf) de Primavera do Leste, aponta que o vereador não apenas auxiliou na fuga, mas também participou do planejamento, recebendo informações sobre a movimentação da vítima e orientando o executor.
Além do suporte logístico, as comunicações revelaram orientações para a eliminação de vestígios digitais, como a formatação de aparelhos e a troca de números de telefone. A análise dos celulares de pessoas próximas à vítima indicou que uma adolescente, que acompanhava Lavínia na noite do crime, tinha conhecimento prévio do plano e teria mantido contato com um detento durante a execução.
A motivação do crime estaria ligada à suspeita de que a vítima repassava informações sobre o tráfico de drogas em Poxoréu para as forças de segurança, visto que ela mantinha contato com policiais e sua mãe prestava serviços no quartel da Polícia Militar. A Polícia Civil concluiu que o homicídio foi um ato planejado por uma facção criminosa, com clara divisão de tarefas entre os envolvidos.
Dois adultos já foram indiciados por homicídio qualificado — por motivo torpe e recurso que dificultou a defesa da vítima — e por organização criminosa. Em relação à adolescente identificada, o caso segue os trâmites do Estatuto da Criança e do Adolescente. As autoridades continuam os trabalhos para identificar o autor dos disparos e verificar a possível participação de outros envolvidos no esquema criminoso.
Fonte: rdnews.com.br