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Seguro rural em MT: adesão segue baixa apesar dos riscos

O seguro rural é essencial contra o El Niño, mas a adesão em MT é baixa. Entenda como a nova lei pretende mudar esse cenário. Confira agora.

O seguro rural apresenta-se como uma ferramenta estratégica essencial diante da instabilidade climática provocada pelo El Niño em Mato Grosso. Contudo, mesmo com o aumento dos riscos para o agronegócio, a adesão a esse mecanismo de proteção permanece em níveis preocupantes no estado.

Dados do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) revelam que, até setembro, apenas 90 produtores mato-grossenses utilizaram o Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR). Foram emitidas 99 apólices, cobrindo uma área total de 15,7 mil hectares, um volume considerado baixo frente à dimensão do setor.

Desafios e resistência ao seguro rural

A preocupação com a cobertura ganha força devido às projeções meteorológicas. A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA) aponta 97% de probabilidade de o El Niño atingir alta intensidade até o final do ano, trazendo riscos de estiagem e calor extremo para o Centro-Oeste.

Cleiton Gauer, superintendente do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), aponta que o custo elevado das apólices desestimula a contratação. Além disso, existe uma percepção entre os agricultores locais de que eles subsidiam os custos de sinistros ocorridos na região Sul do país.

Segundo Gauer, a resistência dos produtores baseia-se em fatores como:

O custo adicional embutido pelas seguradoras para diluir riscos nacionais; A falta de uma análise de risco focada exclusivamente na realidade mato-grossense; A necessidade de maior conscientização sobre a perpetuidade do negócio. O especialista reforça que a exposição ao risco sem proteção é prejudicial não apenas ao produtor, mas a toda a economia regional. Perdas severas no campo impactam diretamente o comércio, a arrecadação pública e diversos elos da cadeia produtiva local. Confira mais notícias sobre o setor .

Para mudar esse cenário, Gauer defende a modernização das políticas públicas. Ele argumenta que investir em mecanismos de prevenção é mais eficiente e menos oneroso para os cofres públicos do que socorrer o setor após crises generalizadas de quebra de safra.

Recentemente, a sanção da Lei nº 15.526/2026 trouxe mudanças significativas para o setor. A legislação classifica os recursos do PSR como despesa obrigatória, impedindo que o governo realize contingenciamentos ou cortes orçamentários que prejudiquem a subvenção.

Em contrapartida, os produtores que acessarem o subsídio deverão compartilhar dados operacionais de suas lavouras. O objetivo é alimentar um banco de dados público que aprimore o Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc), permitindo, futuramente, a redução dos custos das apólices.

A Aprosoja-MT destaca que a previsibilidade orçamentária é fundamental. Em 2026, o bloqueio de R$ 461,7 milhões destinados ao PSR impactou o planejamento do setor, reforçando a importância da nova legislação para garantir a segurança jurídica e financeira aos agricultores.

Fonte: rdnews.com.br