Secas recorrentes: agricultores apostam em novas culturas
Produtores rurais buscam cereais perenes para enfrentar secas recorrentes e proteger a produtividade do solo. Confira agora as inovações no campo.
secas recorrentes: Diante de secas extremas, produtores rurais exploram o cultivo de cereais perenes como estratégia para aumentar a resiliência do solo e garantir a sobrevivência.
A busca por alternativas para mitigar os efeitos das secas recorrentes tem levado agricultores a repensar suas práticas tradicionais de plantio. O produtor Bryce Black, que lida com as consequências de um clima cada vez mais instável, exemplifica o desafio enfrentado por muitos no campo. Após registrar a pior colheita de trigo desde 2017 devido à falta de chuvas, ele admite estar em um verdadeiro modo de sobrevivência.
Aposta em cereais perenes contra secas recorrentes
Diante desse cenário, a adoção de cereais perenes surge como uma solução promissora para reforçar a resistência das lavouras. Diferente das culturas anuais, que exigem plantio e colheita constantes, essas variedades permanecem produtivas por vários anos. A tecnologia, desenvolvida por instituições como o The Land Institute, foca em plantas com sistemas radiculares profundos.
Essas raízes extensas permitem que as plantas alcancem água em camadas mais profundas do solo, tornando-as menos vulneráveis a períodos curtos de estiagem. Além disso, essa estrutura radicular auxilia na absorção de excesso de água durante chuvas intensas, prevenindo a erosão. Outro benefício ambiental relevante é a capacidade dessas plantas de fixar mais carbono no solo.
O caso da Kernza, um cereal perene em estágio avançado de domesticação, ilustra bem essa transição. David Mueller, agricultor no Kansas, utiliza a cultura desde 2018 para recuperar solos com problemas de drenagem. Segundo ele, a prática traz vantagens operacionais e financeiras significativas:
Redução do uso de fertilizantes em até um terço em comparação ao trigo convencional. Menor necessidade de operação de maquinário pesado movido a combustíveis fósseis. Melhoria na qualidade orgânica e na estrutura do solo para futuras safras. Contudo, a transição para esse modelo não é isenta de obstáculos. Especialistas apontam que a produtividade em grãos das variedades perenes ainda é inferior à das anuais, variando entre 20% e 40% do rendimento do trigo tradicional. Isso ocorre porque a planta direciona parte de sua energia para o desenvolvimento das raízes, em vez de focar exclusivamente na produção de sementes.
Além da produtividade, a adaptação da maquinaria agrícola para a colheita de grãos menores e a concorrência com ervas daninhas no primeiro ano de plantio são desafios técnicos em estudo. Pesquisadores da Universidade Cornell e de outras instituições trabalham para otimizar a densidade de sementeira e a eficiência do manejo.
Apesar das dificuldades iniciais, a necessidade de adaptação climática impulsiona o interesse pelo tema. Como destaca o professor Matthew Ryan, os produtores rurais estão cada vez mais conscientes das mudanças no clima e buscam ativamente formas de tornar suas explorações mais resilientes. Para conferir mais conteúdos sobre o setor, acesse a nossa categoria de notícias.
A longo prazo, a integração de plantas perenes é vista por ecólogos como essencial para a preservação da saúde do solo. Sem essa mudança, a degradação das terras agrícolas pode gerar prejuízos bilionários à economia global até 2050. Portanto, a pesquisa científica continua avançando para tornar essas culturas uma alternativa viável e escalável para a agricultura moderna.
Fonte: pt.euronews.com